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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Meditação

O amanhã pertence a nós!
Ó Sol, levanta-te sobre os corações que sangram
E desabrocham como flores na manhã,
E também sobre o banquete do orgulho,
Ontem iluminado por tochas, e hoje reduzido a cinzas...

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de março de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Minha canção

Minha canção te envolverá com sua música,
como os abraços sublimes do amor.
Tocará o teu rosto como um beijo de graças.

Quando estiveres só, se sentará ao teu lado
e te falará ao ouvido.
Minha canção será como asas para os teus sonhos
e elevará teu coração até o infinito.

Quando a noite escurecer o teu caminho,
minha canção brilhará sobre ti como estrela fiel.
Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até a alma das coisas.

Quando minha voz se calar para sempre,
minha canção te seguirá em teus pensamentos.

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de março de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Desejo

Desejo dizer-lhes as palavras mais profundas, mas não
me atrevo, porque temo sua gozação.
Por isso acho graça de mim mesmo e transformo em brincadeira meu segredo.
Duvido de minha angústia, para que você não duvide.
Desejo dizer-lhe as palavras mais sinceras, mas não me atrevo, por que temo que não acredite.
Por isso as disfarço de mentiras e digo o contrário do que penso. Me esforço para que minha angústia não pareça absurda para que você não ache que é.
Desejo dizer-lhes as palavras mais valiosas, mas não me atrevo porque temo não ser correspondido.
Por isso me declaro duramente e me orgulho de minha insensibilidade.
Desejo senta-me silenciosamente a seu lado, mas não me atrevo,
porque temo que meus lábios traiam meu coração.
Por isso falo disparatadamente, escondendo meu coração atrás de minhas palavras.
Trato a mim mesmo com dureza, para que você não o faça.
Desejo separar-me de você, mas não me atrevo,
por que temo que descubra minha covardia.
Por isso levanto a cabeça e fico perto de você com ar indiferente.
A constante provocação dos nossos olhares remove minha angustia sem piedade.

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de março de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941

Se me é negado o amor

Se me é negado o amor, por que, então, amanhece;
por que sussurra o vento do sul entre as folhas recém nascidas?
Se me é negado o amor, por que, então,
A noite entristece com nostálgico silêncio as estrelas?
E por que este desatinado coração continua,
Esperançado e louco, olhando o mar infinito?

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de março de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941
A Lua Nova

Como discutem e como gritam!
Como desconfiam e se desesperam!
Nunca param de brigar!
Que tua vida se ponha entre eles, inalterável e pura
Como uma língua de luz
E lhes imponha silêncio com sua formosura.
Que cruéis os torna a cobiça e o ciúme!
Violências disfarçadas sedentas de sangue são suas palavras.
Ponha-se entre suas corações irados e que
Teu olhar sublime caia sobre eles como cai a indulgente
Paz do anoitecer sobre a batalha do dia.
Deixe que olhem tua face
E que assim compreendam o sentido de todas as coisas.
Que te amem, e assim amem um ao outro.
Vem ocupar teu lugar nos braços do Eterno.
Abre e levanta teu coração ao nascer do sol, como uma nova flor.
E quando o sol se pôr, inclina tua cabeça e reze
Em silêncio a oração da tarde.

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de maio de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941
Verdades

Roubo do hoje a força
Fazendo nascer o amanhã.
Da janela acompanho com o olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.

Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que me espanta
As brumas do desconhecido.

Não faço perguntas.
Tenho medo das respostas que já sei.
Liberta do invólucro físico
Devolverei a matéria ao pó de que fora feito.

Vivi meus três caminhos na terra.
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
Minhas atitudes,
Procurando não cair nos mesmos erros.

Agora – vago e espero
Entre tropeços e flagelos
O ressurgir da verdade.

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de maio de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941
Flor de lótus

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida. Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de maio de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Se não falas

Se não falas, vou encher o meu coração
Com teu silêncio e agüentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

+*+Rabindranath Tagore+*+

* Calcutá, 7 de maio de 1861
+ Calcutá, 7 de agosto de 1941