sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


Usurpando um minuto a meu lamento,
Amigo sono os olhos me ocupava,
E enquanto o débil corpo descansava,
Velava Amor, velava o Pensamento.

Eis que em deserto e lúgubre aposento
Que semimorta luz mais afeava,
Cri, Gertrúria (ai de mim!), que te avistava
Já sem cor, já sem voz, já sem alento.

Súbito acordo em lágrimas banhado,
E, das trevas palpando o véu medonho,
Em vão busco teu corpo delicado

Mas inda em ânsia, trêmulo, suponho
Que me vaticinou meu negro fado
Dos males o pior no horrível sonho.

+*+Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage +*+

* Setúbal, 15 de setembro de 1765
+ Lisboa, 21 de dezembro de 1805