terça-feira, 12 de maio de 2009

Cisnes

A vida, manso lago azul algumas
vezes, algumas vezes mar fremente,
tem sido para nós constantemente
um lago azul sem ondas, sem espumas.

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
matinais, rompe um sol vermelho e quente,
nós dois vagamos indolentemente,
como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo.
Quando chegar esse momento incerto,
no lago, onde talvez a água se tisne,

que o cisne vivo, cheio de saudade,
nunca mais cante, nem sozinho nade,
nem nade nunca mais ao lado de outro cisne.

+*+Júlio Salustre+*+

* Bom Jardim – RJ, 1872
+ Rio de Janeiro, 1948

Um comentário:

Anônimo disse...

Que ótimo encontrar aqui o poema Cisnes, pois meu pai, aos 94 anos, declama alguns desses versos como uma importante lembrança da vida dele e que o ajuda a passar melhor algumas horas difíceis da vida.
Melhor ainda saber que o poeta era da região onde meu pai nasceu, Bom Jardim é uma pequena cidade perto de Cantagalo e Duas Barras, nas serras do interior do estado do Rio de Janeiro, próximas também de Nova Friburgo.